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© busy as a bee on a rainy day

e se, de repente, o respondemos a um how are you e só nós pescámos a piada (as abelhas não voam quando chove) e vêmos que é um título fantástico para um blogue! pois.. cá estou então!

31
Out21

The October Break 2021 | dia 31

Ana de Deus

palavras: Outubro foi assim..

Outubro foi uma Primavera tardia, com tardes de Verão e esplanadas. só nos últimos dois dias é que chegou o tão anunciado Outono, disfarçado de Inverno. os dias cada vez mais curtos. foi um mês divertido graças a este desafio, e ao Arte e Inspiração da Fátima, que continua por mais sete semanas e com o qual tenho aprendido muito sobre os pintores em destaque e ficado fascinada com a criatividade do grupo que se reuniu nesta jornada. foi o mês em que uma amiga que adoro celebrou as bodas de papel e os três primeiros meses como mãe. foi o mês em que senti mais saudades da minha gata, para quem comprei um aquecedor a gás há uns quatro anos. ela morreu em Abril, no mês em que fazia dezoito anos. vivêmos juntas desde que ela tinha sete semanas. é a minha companheira de vida. foi o mês em que fiz a minha primeira TAC à coluna e descobri que tenho múltiplas hérnias, osteofitose, artroses e, com tudo isto, degeneração das vértebras. começo a fisioterapia na próxima semana, pois as dores não me deixam dormir horas de sono suficientes.

texto no âmbito do desafio The October Break 2021.

FIM

30
Out21

The October Break 2021 | dia 30

Ana de Deus

palavras: eu acredito

AMO

os artistas, os magos, os alquimistas.

a inocência nas crianças grandes.

a sabedoria das crianças pequenas.

 

ACREDITO

que nada acontece por acaso.

que as relações têm alma.

que tu e eu somos eternas.

 

GARANTO

sonhar acordada.

recriar os dias felizes.

reinventar a alegria.

 

PROMETO

dar o meu todo.

ser quem nasci para ser.

cozinhar escrita criativa.

 

CONVIDO

a apreciar. a partilhar.

sozinha vou mais depressa.

unidas chegamos mais longe.

© Manifesto desta Abelha no âmbito do desafio The October Break 2021.

 

28
Out21

The October Break 2021 | dia 28

Ana de Deus

palavras: aventura

ninguém imagina os quilómetros que os sem-abrigo calcorreiam todos os dias.

lido numa reportagem há mais de uma década. nunca mais o esqueci. não tem nada a ver com aventura. o que tem a ver é que eu um dia, para enfrentar os meus medos, atravessei o jardim do Campo Grande num domingo, às oito da manhã. a cidade dormia e, para meu espanto, os sem-abrigo que por lá pernoitam já tinham desaparecido. tenho medo dos que se drogam, pois o sofrimento que deve ser um desmame forçado, pode deixá-los desesperados e torná-los violentos. lembro-me de uma rapariga que andava a pedir para o namorado e eu disse-lhe que não. e ela disse: tenho fome! e eu que sei o é ter fome, voltei para trás e dei-lhe quase dez euros. dei-lhe tudo o que tinha no porta-moedas. tinha um quarto para viver, num prédio devoluto. era uma residência para raparigas, num quinto andar, na 5 de Outubro, do lado de Entrecampos, ainda no tempo da Feira Popular, o que me presenteava com os mais belos nascer do sol. sempre me senti segura em Lisboa. antes de viver na Mouraria, andei por Alfama nos santos populares, com um grupo de amigos. e voltei a pé sozinha, para a 5 de Outubro: Rossio, Restauradores, Av da Liberdade, Fontes Pereira de Melo, Av da República, Campo Pequeno, Entrecampos, 5 de Outubro. a minha alma pertence a Lisboa, sempre que a calcorreio que uma mornura uterina me envolve.

texto no âmbito do desafio The October Break 2021.

27
Out21

The October Break 2021 | dia 27

Ana de Deus

palavra: pedra

durante a minha adolescência eu coleccionava pedras que encontrava na praia durante as férias de Verão. eram pedras grandes! uma que me deslumbrava era o xisto vermelho. houve uma altura em que tinha tantas pedras no quarto que tive de desfazer-me delas. há uns anos comecei a comprar cristais. a minha mãe e as minhas irmãs contribuiram para a colecção. não enchem uma caixa. desde dois mil e dezanove que não converso com as minhas pedras, nem as manuseio. ando meio desligada.

texto no âmbito do desafio The October Break 2021.

27
Out21

Desafio Arte e Inspiração | Semana 7

Ana de Deus

O Beijo por Gustav Klimt
© O Beijo por Gustav Klimt

assinatura de Klimt

(continuação)
na segunda e na terça-feira, Francisca e David interromperam as férias para reuniões e decisões de última hora. durante a estadia em Nova Iorque também tinha trabalhado uma média de três horas por dia, em videoconferência. hoje regressaram às férias e voaram para Viena, para visitar a Galeria do Palácio Belvedere da Áustria e encantarem-se com os quadros de Gustav Klimt (1862-1918).

Francisca ficou fascinada com um vestido com o padrão dourado, preto e branco; patente no quadro O Beijo. comprou também a gravata neste padrão. fosse passagem de ano ou prova de dança, a jovem sabia que seria um sucesso. o quadro executado em óleo sobre tela, entre 1907 e 1908, medindo 180x180 centímetros, é uma das obras mais conhecidas de Klimt.

as suas obras têm inspiração nos mosaicos bizantinos e a composição de pequenos elementos tornou-se a marca registrada do Klimt, pintor simbolista austríaco. aos quatorze anos, estudou desenho ornamental na Escola de Artes Decorativas. associado ao simbolismo, destacou-se dentro do movimento art nouveau e foi um dos fundadores do movimento da Secessão de Viena.

O Beijo, exibido pela primeira vez numa exposição em 1908 na Austrian Gallery, foi logo adquirido pelo Belvedere Palace Museum, de onde nunca mais saiu. para se ter noção da reputação do pintor austríaco: o quadro foi vendido (e exposto) antes mesmo de ser terminado. esta obra foi comprada por 25 mil coroas, um recorde para a sociedade austríaca da época.

após a expiração dos direitos autorais da obra em 1988, setenta anos após a morte do artista, O Beijo passou a ser comercializado de forma massiva, decorando os mais diversos produtos da indústria cultural. os especialistas consideram que a tela faz parte da fase dourada do artista e tem, de facto, uma estética cintilante e elementos de ouro na sua composição.

as roupas do casal foram pintadas como se fossem mosaicos e distinguem-se uma da outra, apesar de estarem muitos próximas, dando a sensação de que ao se abraçarem os dois se tornam um só. o fundo dourado da obra não representa algo em específico, podendo ser o cosmo ou o nada. o casal flutua apaixonado nesse fundo brilhante. as flores são o único elemento que liga os amantes ao mundo real. 

Klimt cultivava flores e plantas, usando-as constantemente como elementos nas suas obras. e demonstrava o conhecimento do significado simbólico de cada uma delas. as plantas douradas, em O Beijo, que contornam os pés da mulher são conhecidas como erva de Parnaso, um antigo símbolo da fertilidade. Francisca é uma autodidata no que concerne à simbologia das flores e plantas e a mestria de Klimt fascina-a.

(continua)

texto no âmbito do desafio arte e inspiração criado por Fátima Bento.
PARTICIPANTES:
Ana Mestrebii yue, CéliaCharneca Em FlorCristina AveiroFátima Bentoimsilva.

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